quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Astronauta: Voo biológico (2)



"Um salto gigante. Demora pelo menos 6 segundos pra aterrisar novamente. Ele corre o mais rapido que pode mas com o peso da armadura que sustenta nao ha como correr rapido. Pula novamente. Sao os melhores 6 segundos que ele tem lembraca. A sensacao e de estar voando como as aves na terra. A ideia de voar sempre o atraiu, foi uma das grandes razoes que o motivaram a ir pro espaco. A ideia de conhecer, buscar, curiosidade é o cacula da adrenalina para o astronauta. Pensa em como queria voar, o faria tao feliz poder sair do chao, deslizar pelo ar. Nao precisa ser rapido, basta saber que nao depende mais daquelas barreiras de pedra que sustentam sua materia. Seria independente.
Tem uma caminhada longa a sua frente. O astronauta nao fica fatigado pois o oxigenio em seu capacete é abundante. Olhando pro chao e vendo aquele tom cinza, as rochas e a poeira. Sorri para a sua sombra que ve no chao a frente dos seus passos. Parece que corre contra a direcao do sol, mas a favor da rotacao do planeta morto. Um olhar distante e as colinas vao ficando mais perto. Nao ha tempo pra parar. O astronauta tenta criar uma cancao enquanto corre, brincadeira que se lembra de quando era crianca e esperava sua mae busca-lo na escola. Fazia o tempo passar mais rapido ele lembrava, quem sabe fizesse essa caminhada mais curta. Tenta inventar mas nao tem um tema para a cancao. Tenta se concentrar nos seus motivos de sair da nave e para onde estaria indo. O que busca? Procura perguntas ele responde a si mesmo. Sera que estou maluco? Todos querem respostas e eu perguntas. Devo ser louco.
Seus passos vao ficando mais largos e o que era pra ser uma cancao se transforma em reflexao. Os questionamentos do astronauta crescem e as perguntas surgem. O que é a materia? O que é o ser? Todas as cores e todas as luzes, pra onde vao? Tudo no mundo. Um estalo. Nao ha perguntas reais. Tudo é imaginacao, tudo uma fantasia. Um mundo criado. Nada alem de especulacoes. O astronauta acorda. Ele esta correndo, sua nave ficou pra tras e as colinas estao muito perto. Pela primeira vez ele fica ofegante pois, como se fugisse de um pesadelo ao acordar, comeca a correr mais rapido. Parece ser mais facil correr, nao sente tanto o peso do seu tanque de oxigenio e algo o empurra. O astronauta esta descendo uma ladeira, o angulo vai crescendo. Corre tao rapido que nao sabe mais se consegue parar. Fica assustado e tenta freiar mas a gravidade nao esta ajudando, de alguma forma ela parece mais forte nessa descida. Ele se joga e voa. O astronauta voa veloz, caindo, flutuando para baixo numa espiral. Ao olhar pra tras enquanto deita a cabeca ele ve a luz do sol correndo entre a poeira e ficando pra tras. Ele mergulha na cratera escura da face leste da lua. Cratera deserta aonde o sol nao chega, a gravidade é forte e os ventos lunares fazem a noite mais fria. O astronauta nao atinge o chao. Voa para baixo. Voa feliz."