quarta-feira, 30 de março de 2011

Don't go away. I'll wait for you.



"Prometo que nao vou esquecer.

Prometo que o tempo vai passar e nada vai mudar.
Prometo todo dia um soneto ou um terceto, o que mais lhe agradar.
Prometo uma certeza, uma cicatriz aberta e uma lembranca na mao.
Te prometo uma promessa.

Te prometo guardar.
Te prometo esperar.
Te prometo jurar.

Te prometo o sol (e toda vez que olha-lo, lembrar de voce, das ondas e das musicas).
Te prometo o ceu (e toda vez que olha-lo, saber que voce esta perto de mim olhando pro mesmo ceu do meu lado).
Te prometo uma vida (a minha e a sua, a felicidade, a fidelidade e a paixao).
Te prometo voltar pra terra.


Te prometo amar, amar e amar. Todos os dias. Um dia mais que o outro. E todo dia me reapaixonar e viver como se aquele fosse nosso ultimo dia.

Te prometo compensar todas as lagrimas com beijos, sorrisos e palhacadas. Fazer piada, viver com graca, rir do mundo e abracar estranhos.
Te prometo paz e harmonia.
Te prometo acordar todo dia de bem com a vida, aonde estiver.
Te prometo ataques de beijos todos os dias.
Te prometo so te fazer chorar de rir.
Te prometo cantar pra voce dormir, sempre te mostrar que estou ao seu lado.
Te prometo estar la pra tudo.
Te prometo nunca te deixar.
Te prometo o pra sempre.
Te prometo o final feliz.
Te prometo feliz.

Mas uma promessa voce deve prometer.
Me promete a esperanca.
Me promete que ha caminho.
Me promete que todas as minhas promessas nao serao em vao.
Me promete o seu coracao.
Me promete."

sexta-feira, 18 de março de 2011

Habitos do coracao




"Primeiro eh feito um corte central para abril a cavidade peitoral. Corte aberto a jaula para expor a caixa do coracao, atraves das costelas cerradas se ve a bomba sanguinea pulsando forte.

E assim tudo comeca.  Um momento belo cujo segundo se estilhaca em mil milessimos de emocao seca. Aquele primeiro olhar. O seu primeiro sorriso. Nada mais forte do que aquela pulsacao. Meu mundo todo se resume nesse segundo, como se tudo que tivesse acontecido antes fosse apenas um corredor pra chegar nessa porta. Seria tao estranho acreditar no destino?
E a pessoa que voce um dia foi morre e da lugar a essa nova batida, um som diferente que cativa o instrumento. Um o artista, o outro a musica. Harmonia e vida. Sangue e mel.


Aparelhos sao inseridos nos atrios para facilitar o fluxo sanguineo. Cortes do bisturi separam os ventriculos do motor humano. Os mesmos movimentos, tao belos e precisos quanto um maestro ao conduzir uma orquestra, rompem os atrios e antes que se perceba o coracao eh removido de sua casa. O buraco vazio no peito. Um espaco em branco.

E de um momento para o outro voce nao sente. Seus olhos nublados perdidos percorrem o cenario. Seu peito mudo, inebriado com o gosto amargo da anestesia. Po do esquecimento.
Voce perde tudo. As correntes do tempo escapam dos seus pes e voce vaga no escuro. Nesse momento, eh que voce costuma viajar e viver no passado, o futuro parece tao impossivel. Mas esse momento eu posso dividir com voce. Um desconhecido, tao estranho.


No buraco vazio eh inserido um coracao artificial. Os vasos sanguineos conectados como fios a uma placa. Voce nao esta sozinho.
Um solo de guitarra ecoa nos seus ouvidos e voce ja consegue sentir uma luz. A musica contagiante da vida e a esperanca enchendo seus pulmoes.
Voce nao esta sozinho na sua solidao. Mesmo voce tendo esquecido eu me lembro de nao esquecer. Seus vicios. Suas virtudes. Seus pessimos habitos.
O ceu vem para aqueles que esperam. Mas nesse momento, eu apenas vejo voce sangrar. Meu corpo sente a sua dor e chora. Tao cheio do vazio.


O coracao artifial eh removido e descartado. As veias gastas com a exposicao. A pele seca do ar. O paciente eh preparado para o transplante. A cavidade aberta expondo a confortavel casa para um novo coracao chegar. Um novo doador. 
Minhas maos atadas apenas as palavras. Seu peito aberto, sem mentiras, sem regras. Eu na mesa ao lado. Minha pulsacao diminuindo ate ficar calada. Veias ligadas. Atrios e ventriculos restaurados. Voce respira. Meu ar se esvai. Meu sangue eterno agora em suas batidas. Seu instrumento. Minha musica.
Sua nova vida, seus novos sorrisos. De agora em diante, um novo caminho.
Seus olhos se abrem.
Meus olhos se fecham.
Ainda acha estranho acreditar no destino?"

domingo, 6 de março de 2011

Retalhos do Irreal?

"Eu ja escrevi 3 textos diferentes aqui hoje. Todos eles com a mesma ideia, pontos de vistas diferentes e irrelevantes, pois a conclusao final eh sempre a mesma. Isso me irritou na realidade.
Queria nao estar preso as regras. Esses fundamentos que eu jurei.
Agir por impulso, agir pelo meu coracao. Nao precisa ser sempre, mas pelo menos agora. Eu queria quebrar essa promessa que me mantem preso ao chao sem poder voar e tocar o ceu. Nao depender de nada


{Queria nao ser incapaz, ou nao fingir ser}
{Queria nao olhar pra tras, ou fingir esquecer}
{Tudo que eu ja nao sei mais, ou tentei entender}


Para a minha percepcao nunca deveria ter sido tao complicado, tao distante. Nao planejei me desligar por tanto tempo daquela realidade ao ponto de que eu fosse me tornar irreal {para quem vivesse nela}.


Talvez eu fosse {somente} um sonho curto. 
Talvez tenha sido {somente} bom demais para ser realidade. 
Algo que nao deva se definir por estes parametros, algo que pertence, {tao somente}, ao mundo dos sonhos."

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Olhos de vidro



"O artista cria a pintura. O poeta cria a poesia. O escritor escreve o livro.
Pequenos atos pra deixar um legado. Todos buscamos a vida eterna. Transcender a nossa geracao.
Somos a ultima geracao dos artistas mudos, poetas surdos e escritores mortos.

O artista desfigura a pintura. O poeta altera a poesia. O escritor escreve o livro.
A continuidade esta nas acoes. Eh como formar uma pilha de coisas e mais coisas aonde o que se lembra depende da sua ultima facanha. Sempre em busca de algo memoravel pra nao deixar morrer os grandes feitos do passado. Um ultimo sorriso amarelo no gatilho, apontado pra falsidade mudana e os sonhos modernos feitos de plastico.

O artista chora a pintura. O poeta nega  a poesia. O escritor escreve o livro.
E mais um dia de sol vai embora. Ja parou pra pensar quantas pessoas estiveram paradas no mesmo lugar que voce esta agora? Como seria, todo dia, olhar o amigo com olhos de vidro e emocao porcelana. Ver seu nome no obituario. Ver seus sonhos entrando em cana. Como seria viver de verdade?

A pintura destroi o artista. A poesia mata o poeta. O escritor rasga o livro."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Catavento


"Passa o tempo, todo lento, cata vento. E mais um segundo morre no ar.
Corre vento, passa lento, sempre atento. Nao deixe aquele segundo seguinte escapar.
Feche os olhos e prenda o ar. Imagine um lugar sobre o luar a invejar a beleza imensa que vive no mar.
Visualize algo profundo e denso, claro e escuro, azul e cinza perdido ao olhar.
O formato nao parece estranho, eh como um daqueles relogios antigos de bolso que o seu avo costumava usar.
Maquinas do tempo, contadores de eventos, rapidos momentos  que vou recordar.
A musica de fundo voce tambem conhece. Relembre a infancia, seus dias de crianca e a cancao de ninar.
Isso tudo so descreve o cenario, eh apenas a base. Nao o evento principal. O lugar aonde se encontra, os segundos no relogio e o que voce carrega no seu bolso nao sao nada alem das linhas no caderno. Para ver a realidade deve se desfazer das fantasias, miragens bobagens tentando atrapalhar.
O que eu quero te mostrar eh algo azul e verde, marrom vermelho envolto a me olhar.
Sombreado com sombras escuras, envolvente cativa me perco ao pensar.
Me segue e eu sigo, misterioso e avido, estrela a queimar.
Chamas ardentes, paixao reluzente que brilha ao voar.
Tao recorrente, me perco na mente ao nao te encontrar. Perdido num mundo, perdido no tempo, me perdi ao sonhar.
Falo somente o que vejo na frente, descrevo a beleza de um dia passar.
O segundo que morre, o tempo congela, tao belo momento impossivel alterar.
O vento que sopra, que fecha a janela, que lembra a beleza que vi  na capela, seus olhos cinzelam o fogo de amar.
Eh so o comeco, o tempo que morre, o segundo que passa...acabou de passar."

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Seven Miles

Ja to cansado de pontes e montes, risos e fontes, certezas esqueiras que fogem pro mar..
Cheio das mentiras rasteiras, falsas certezas, suspiros sussuros que me roubam o ar..
Indignado amado voltado pro lado distante do lado de ca..
Perdido achado roubado desviado de todos os sonhos que ousei sonhar..
Queria ser amor e amar, virar samba batuque, ser cantado em voz alta pelo morro ecoar..
Ver e viver, saber e crescer, ser mais do que eu puder me tornar..
Correr atras do mundo, virar a pagina, entrar no seu livro, de felicidade chorar..

Mudar o conceito do certo e do errado, fazer uma rima, roubar seu olhar..
Mudar o passado, ver o futuro, trocar meu presente e um presente te dar..

domingo, 16 de janeiro de 2011

Predicado Perfeito

"Eu devo estar errado, quero dizer, eu so posso estar errado. Nada mais certo do que o incerto. Nada pode ser programado ou esperado, nao realmente. Tudo depende do acaso, o caos se instaura nas coisas e aquela danca, a explosao tao grande, a desordem eh o que realmente ha quando voce pensa que tudo occoreu como o planejado. Nada mais do que uma confusao. Confusao. Caos programado. De uma forma tao perfeita, tao esperada."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pedra e Pau



"Já pensou em como seria o mundo se nos tivéssemos tudo que quiséssemos? Como seria desejar algo e acontecesse. Parece maravilhoso na primeira vista. Você imagina que todos os seus problemas seriam resolvidos. Dinheiro? pronto. Aquela pessoa que voce quer do seu lado? Feito. Aquela pessoa que voce odeia? Desaparecida. Voce iria viver um sonho. O ceu se une a terra e estamos no paraiso. Estamos?
Estou, certo? Nao. Estamos. Se voce tivesse esse poder, por que eu nao poderia ter tambem? Por que o dono do dinheiro nao poderia, a pessoa que voce deseja ou ate mesmo a pessoa que voce odeia? Todos teriam o que sempre desejaram. Voce cobiça o dinheiro do outro e ele toma o seu. Voce faz a pessoa dos seus sonhos estar do seu lado e depois eh forcado a estar do lado de quem nao ama. Voce sofre, dor, tristeza. Faz a felicidade de quem ama te ver sofrer.
Um inferno na terra. Um caos coletivo de um sonho nao unificado. As diversidades, os pesadelos das almas que sonhavam, sonharao, choraram. Sendo um escravo do poder, sendo subordinado aos desejos de outras pessoas o seu desejo sufoca a ideia de liberdade. Seu desejo? O Desejo do outro de voce desejar?
Nao reclamo de meus sonhos. A muito tempo abri mao de desejar. Hoje abraco o anseio de um desejo esperar. Uma vida longa e liberta, das correntes das expectativas. Cansado da manipulacao, vivendo em coma. Dormindo num lindo sonho onde meus desejos descansam. 
Pensava que as pessoas fossem pro inferno por causa das coisas que elas fizeram. Nunca havia pensado que talvez a gente vai pro inferno por causa das coisas que deixamos de fazer. Das coisas incompletas.
Mas as palavras, as belas palavras, nunca poderão te machucar."

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Astronauta: Voo biológico (2)



"Um salto gigante. Demora pelo menos 6 segundos pra aterrisar novamente. Ele corre o mais rapido que pode mas com o peso da armadura que sustenta nao ha como correr rapido. Pula novamente. Sao os melhores 6 segundos que ele tem lembraca. A sensacao e de estar voando como as aves na terra. A ideia de voar sempre o atraiu, foi uma das grandes razoes que o motivaram a ir pro espaco. A ideia de conhecer, buscar, curiosidade é o cacula da adrenalina para o astronauta. Pensa em como queria voar, o faria tao feliz poder sair do chao, deslizar pelo ar. Nao precisa ser rapido, basta saber que nao depende mais daquelas barreiras de pedra que sustentam sua materia. Seria independente.
Tem uma caminhada longa a sua frente. O astronauta nao fica fatigado pois o oxigenio em seu capacete é abundante. Olhando pro chao e vendo aquele tom cinza, as rochas e a poeira. Sorri para a sua sombra que ve no chao a frente dos seus passos. Parece que corre contra a direcao do sol, mas a favor da rotacao do planeta morto. Um olhar distante e as colinas vao ficando mais perto. Nao ha tempo pra parar. O astronauta tenta criar uma cancao enquanto corre, brincadeira que se lembra de quando era crianca e esperava sua mae busca-lo na escola. Fazia o tempo passar mais rapido ele lembrava, quem sabe fizesse essa caminhada mais curta. Tenta inventar mas nao tem um tema para a cancao. Tenta se concentrar nos seus motivos de sair da nave e para onde estaria indo. O que busca? Procura perguntas ele responde a si mesmo. Sera que estou maluco? Todos querem respostas e eu perguntas. Devo ser louco.
Seus passos vao ficando mais largos e o que era pra ser uma cancao se transforma em reflexao. Os questionamentos do astronauta crescem e as perguntas surgem. O que é a materia? O que é o ser? Todas as cores e todas as luzes, pra onde vao? Tudo no mundo. Um estalo. Nao ha perguntas reais. Tudo é imaginacao, tudo uma fantasia. Um mundo criado. Nada alem de especulacoes. O astronauta acorda. Ele esta correndo, sua nave ficou pra tras e as colinas estao muito perto. Pela primeira vez ele fica ofegante pois, como se fugisse de um pesadelo ao acordar, comeca a correr mais rapido. Parece ser mais facil correr, nao sente tanto o peso do seu tanque de oxigenio e algo o empurra. O astronauta esta descendo uma ladeira, o angulo vai crescendo. Corre tao rapido que nao sabe mais se consegue parar. Fica assustado e tenta freiar mas a gravidade nao esta ajudando, de alguma forma ela parece mais forte nessa descida. Ele se joga e voa. O astronauta voa veloz, caindo, flutuando para baixo numa espiral. Ao olhar pra tras enquanto deita a cabeca ele ve a luz do sol correndo entre a poeira e ficando pra tras. Ele mergulha na cratera escura da face leste da lua. Cratera deserta aonde o sol nao chega, a gravidade é forte e os ventos lunares fazem a noite mais fria. O astronauta nao atinge o chao. Voa para baixo. Voa feliz."

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Aspirador de Pó



"O problema com as coisas que voce ama é a intensidade. Nas horas boas nao tem como descrever quao bem voce se sente, é uma felicidade que te eleva e faz esquecer de qualquer problema no mundo, parece que so existe aquele lugar e aquele momento. Mas nas horas ruins te bota tao pra baixo que voce se sente destruido. Seus pedacos estao por todos os lados e por mais que voce saiba que amanha as coisas vao melhorar é impossivel acreditar. Essa intensidade te destroi e regenera todos os dias. Sempre me faz pensar numa materia que eu li a muitos anos que dizia que 90% da poeira em sua casa é composta de pele humana morta que simplesmente descascou de voce. Me faz pensar que a vida é como uma rocha e que esta te polindo conforme a vida passa. Cada dificuldade e felicidade nao passa de meros ajustes na sua alma, é a vida te transformando. Ela tem que te ajustar pro seu formato final, como se realmente houvesse um plano. Voce nao pode chegar la despreparado, havera algo (no final) que voce so ira saber ou poder fazer caso voce tenha todas as cicatrizes das batalhas, todos os premios e as conquistas do que voce enfrentou na sua existencia. A memoria é um livro (eu sempre soube) que voce escreve a cada dia. Tenha certeza de que esta aproveitando toda intensidade no seu maximo pra nao chegar despreparado no final. A vida tem um proposito. O proposito é o jogo. E o jogo é viver."